A TOCHA

Por Felipe Senra

Fiquei extremamente emocionado com a passagem da tocha em Leopoldina. Pude sentir uma energia muito positiva ao ver a população em torno da chama olímpica. Todos juntos celebrando os ideais que as olimpíadas buscam levar para os quatro cantos do mundo. Foram momentos que certamente entrarão para a história da cidade.

Entretanto, é preciso além de celebrar fazer algumas reflexões. Seria extremamente pedagógico ao realizar a passagem em cada cidade brasileira a imprensa fazer um diagnóstico como está o esporte (nas 3 dimensões) nestas cidades. Acho que o resultado final deste diagnóstico seria a inexistência de políticas públicas esportivas como, por exemplo: ausência de projetos sociais com ênfase no esporte-educação, inexistência de locais e estrutura adequada para a prática do esporte-participação ou atividades físicas como caminhadas, ciclovia e etc. E, falta de incentivo para os projetos em esporte-rendimento.

Com esse diagnóstico seria fácil perceber que o que o Brasil tem feito em termos de Esporte não tem funcionado. Em todas as esperas, seja federal, estadual ou municipal. E em todos os 3 segmentos, participação, educacional e rendimento.

Na esfera local, onde vivo e tenho uma maior percepção poderia citar alguns fatores que temos que evoluir. A primeira é ausência de uma política pública esportiva, onde os atores seriam ouvidos e opinariam sobre as prioridades dos investimentos e apoios a projetos e atividades esportivas. A segunda é organização, quanto a estrutura dos órgãos esportivos (secretaria de esporte e conselho municipal de esporte) a fim de ter uma condição mínima para o funcionamento como, por exemplo, funcionários de carreira pensando o esporte enquanto política pública da cidade e não a serviço de governos. conselho atuante buscando fiscalizar e dar legitimidade para os gastos públicos. A organização é fundamental para buscar recursos do ISMS esportivo e de programas esportivos a nível estadual e federal. A terceira é a transparência acerca dos gastos e investimentos no setor. A quarta união por parte da sociedade civil, através dos professores de educação física, buscarem parcerias, para projetos que beneficiem a população no geral. Na busca de oferecer serviços para a população, mas também trabalho digno para os professores de educação física.

Para finalizar, digo que tenho esperança que os investimentos em esporte no país possam valorizar e dar condições para que nós professores de educação física tenhamos condições de trabalhar com esporte e alcançar todos os benefícios que a prática esportiva oferece quando ensinada de forma correta.

Que o esporte possa se transformar de instrumento político para enganar a população como vimos na ditadura e vemos, infelizmente até hoje, a elemento transformador do ser humano e da sociedade.

                              

(Felipe Senra, professor de Eduação Física)